O PACTO DE JAPARATUBA
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor, ambientalista, membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Além desse blog, é colunista do Portal F5 News.
(O pacto de Japaratuba forma um arco de alianças com líderes destacados, resta eles convencer e mobilizar a sociedade apresentando um projeto consistente)
Tudo indica que em Japaratuba nasceu, ou foi revelada, uma novíssima, todavia muito aguardada aliança política.
Foram dois os convites para atos distintos. Um, partido de Belivaldo para a assinatura da ordem de serviço, iniciando-se a tão aguardada estrada litorânea ligando Pirambú às margens do São Francisco. Trata-se de um trecho onde misturam-se às praias, uma densa vegetação, dunas e pantanais. Um novo roteiro turístico como já o definiu o Secretário Sales Neto, nesses dias de peito inflado, como anda, em face de tão boas noticias, e a melhor de todas: a inauguração nesta segunda dia 9 do novo Centro de Convenções, o elo que faltava para completar a nossa hoje vistosa infraestrutura turística. O outro convite partiu da Prefeita Lara Moura, de Japaratuba, para uma série de inaugurações de obras municipais.
No ato do governo falaram apenas Belivaldo, os secretários da infraestrutura Ubirajara Barreto e do Turismo Sales Neto e a prefeita Lara Moura, que agradeceu muito pela obra, tanto ao governador quanto a André Moura, seu marido que destinou recursos quando deputado federal.
Nada explicito de politica partidária como manda a boa regra de obediência aos preceitos traçados pela legislação eleitoral, mas, a presença maciça de prefeitos, vice prefeitos, vereadores, dos deputados federais Fábio Mitidieri, Gustinho Ribeiro, Fábio Reis, do ex-deputado federal Heleno Silva, do prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira, de Ana Alves, representando a senadora Maria do Carmo, e de lideranças outras, conferia um peso explicito de apoio a uma decisão já conhecida, a chegada de André Moura ao grupo liderado pelo governador Belivaldo. Ele, reafirmando na ocasião que cumprirá seu mandato até o fim, deixou a certeza de que comandará o processo sucessório, onde surge com maior evidencia a formação de uma dobradinha, Mitidieri ao Governo André ao Senado.
Restaria a definição de como se comportará o deputado federal Laércio Oliveira, que não pode ficar ausente de uma composição, depois de tantos serviços prestados, e de ter aberto caminhos na área federal pela sua ligação com o bolsonarismo, e pessoalmente com o próprio presidente. Mas essa característica não seria exatamente favorável no clima de hoje em Sergipe, para definir uma posição em chapa majoritária. Pode ser que isso mude, diante do reconhecimento a Laércio pelo seu trabalho no destravamento do mercado de óleo e gás, o que sem duvidas favorecerá Sergipe como grande produtor. Mas, os resultados concretos somente aparecerão a partir de 2023. E haveria, também, a possibilidade embora remota, diante do que fala e faz o presidente, de uma recuperação da imagem dele tão desgastada, e isso tornaria possível a um candidato ficar bem na foto com ele. Mas isso já é outra história.
A saída do PT do governo já começa a acontecer, todavia sem que isso signifique rompimento. Apenas uma delimitação de territórios que Belivaldo pretende fazer no sentido de dar mais solidez ao grupo que lidera. Assim, será trocada a Pasta da Agricultura, a ser ocupada pelo ex-deputado Zeca Silva, que buscará uma rápida reaproximação com o agronegócio, dando ênfase à pecuária leiteira, à cultura do milho, à citricultura, à atividade canavieira, à necessidade de abrir mais áreas ao plantio do coco e do caju, e aos perímetros irrigados.
Depois, haverá a substituição no Ipesaúde do Dr. Cristiano, que é bem avaliado, mas, aliado incondicional de Rogério Carvalho.
Belivaldo tem bons laços de amizade com Rogério, até lhe demonstra gratidão pelo apoio que sempre recebeu dele com a liberação de verbas e a ajuda a projetos do governo, mas, entenderia que Rogério tomou sua decisão solitária de candidatar-se ao governo, sem dialogar com a base de apoio atual, da qual o PT ainda faz parte, e com isso deve ter preferido traçar um rumo próprio, esperando contar com o apoio de Lula, caso ele venha a concorrer à presidência . Mas, há no bloco de Belivaldo, setores que claramente manifestam a intenção de também votar em Lula, e para Lula então, caberia uma avaliação mais pragmática das circunstancias.
O fato é que tudo começou a clarificar-se em Japaratuba, e isso já ligaria o nome daquela cidade ao acordo, por enquanto entre as cúpulas, e necessitando ainda mais, sobretudo, de ser acolhido pela opinião publica. Tarefa que terá de desafiar a habilidade dos candidatos.
Corre em faixa própria também o senador Alessandro Vieira. Ele, apesar do excelente desempenho na Comissão Parlamentar de Inquérito, adotando posições destemidas e consequentes, na caracterização dos crimes perpetrados pelo governo Bolsonaro, não vem conseguindo, sequer, arrumar o seu próprio partido, e carece de uma sustentação maior em termos de cooptação de lideranças para construir um arco de alianças por mínimo que seja, e enfrentar a complexidade de uma disputa pelo governo, sem que se repitam as mesmas circunstancias que favoreceram um Delegado de Policia sem experiência nem bases eleitorais, e lhe abriram as portas do Senado, onde, vem tendo um desempenho que o projeta nacionalmente.
