MITIDIERI AGUARDANDO UM ESPERADO DIA DO FICO
(Mitidieri esperando de Edvaldo o seu Dia do Fico)
O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, já tem na história um lugar reservado como um dos três melhores administradores da nossa capital. Conseguiu a proeza rara de ser eleito para um quarto mandato. Isso se deve às suas qualidades como administrador, político, e também à unidade do grupo formado por vários partidos e lideranças do qual ele parte.
Edvaldo e sua esposa a engenheira e empresária Danuza, são maratonistas, participam de competições de triatlo, fazem trilhas no grupo da Expedições Serigy, que anda e mais ainda dialoga pelos caminhos sobre tudo o que se puder imaginar, inclusive política, arte, cultura, e até mexericos. Edvaldo tem tudo para se considerar um vencedor polivalente.
Ele acumula experiência política aliada a uma sábia dose de comedimento e sensatez, por isso, ainda nos quadros do PC do B, envolveu-se com as áreas conservadoras, foi recebido até efusivamente pelo ex-ministro de Bolsonaro o general Santos Cruz, que encaminhou os seus pleitos, e assim, manteve sempre contato com Brasília. Antes, no governo Temer, quando iniciou-se a retaliação contra o governo de Jackson Barreto, que não cessou suas imprecações sobre o “golpe contra Dilma”, liderado por Michel Temer, seu correligionário e amigo, desde os primórdios do partido oposicionista tolerado pelo regime militar. Temer não o perdoou, e Sergipe pagou o preço, apesar das posteriores e reiteradas tentativas de superar o problema em nome do interesse público, feitas por Jackson e seu Secretário Benedito Figueiredo, amigo e ex-colega de Temer na bancada emedebista da Câmara Federal.
Edvaldo, nesse interregno complicado, aproximou-se do líder de Temer no Congresso o deputado André Moura, e dai em diante foram carreados recursos para a Prefeitura de Aracaju. Edvaldo foi mais longe: tendo no Planejamento a competência do técnico e previdenciário Augusto Fábio, entre outros, articulou financiamentos internacionais, fez, ao suceder João Alves, um extraordinário trabalho de enxugamento, e superou os rombos deixados pelo grupo esperto que se aproveitou do estado de quase demência mental em que se encontrava o grande administrador público três vezes governador bem sucedido, para, à sorrelfa, devastar os cofres. Na ocasião, é bom lembrar que o amigo e parceiro de João na maioria das suas essenciais obras o engenheiro José Carlos Machado, denunciou a existência de uma quadrilha, agindo e traindo a confiança do então prefeito.
Edvaldo organizou a prefeitura, deu-lhe operacionalidade e sustentação financeira, e vai surfando agora no êxito da terceira administração, recepcionado positivamente pelos sergipanos, como demonstram as pesquisas sobre as preferências dos votantes.
Amigos e companheiros de jornada, mais íntimos, estimulam Edvaldo a rever a sua posição anterior de não afastar-se ainda no meio do mandato para concorrer no próximo ano ao governo do estado. Isso causou uma surpresa e até constrangimentos no grupo ao qual o prefeito de Aracaju pertence, e do qual sempre teve o apoio.
O deputado Fábio Mitidieri, jovem e já experimentado político, com ótima atuação na Câmara Federal e posições políticas que o diferenciam da manada extremista, tão intolerante quanto avessa aos rituais democráticos, ganhou, por isso, um espaço largo de simpatias, entre lideranças, e nas diversas camadas da sociedade, que nada mais querem do que um clima de paz, para que se possa trabalhar e retirar o país da rota de colisão com o imprevisível.
Fábio, na sua atividade parlamentar, dedica-se desde o primeiro mandato a articular-se com lideranças e intensificar o diálogo coloquial e direto com o povo, e daí surgem as suas emendas, direcionadas sempre às principais demandas populares.
Nesse rumo, encontrou-se com um outro jovem, o ex-deputado federal André Moura, que formou um sólido grupo de apoiadores, e tem presença marcante em quase todos os municípios, pelas emendas que tornaram possível um vigoroso trem de obras por todo o estado.
André é fortíssimo candidato ao Senado, numa disputa com apenas uma vaga.
Ao governador Belivaldo Chagas, o grupo, que tem um cabedal vistoso de vitórias eleitorais, delegou a prerrogativa de ser o coordenador do seu processo sucessório, o que ele agora faz com a autoridade acrescida, por não ser candidato, já decidido a cumprir até o fim o seu mandato. Com esse handicap, e mais o reconhecimento público de ter recuperado as finanças estaduais, modernizado o sistema arrecadador, enfrentado com pleno êxito a pandemia, sem tirar de vista a gravidade da questão social, e a necessidade de realizar obras e gerar empregos, Belivaldo tem nas mãos a chave que abrirá o caminho ao candidato que vier a figurar como o centro de convergência das lideranças politicas, para que ele possa, então, começar a tarefa ainda mais árdua de conquistar o apoio popular, em última instância o essencial. E definidor.
Não parece haver maiores resistências ao nome de Mitidieri entre os “caciques da tribo”, que aliás é numerosa. Laércio Oliveira, um deputado federal que dedicou seu mandato a um trabalho de preparação de Sergipe para a promissora e quase já consolidada era do gás, e das suas implicações no conjunto da economia do estado e do país, mostra-se disposto a um acordo que viabilize a manutenção do grupo. O mesmo ocorre com o Conselheiro do Tribunal de Contas e ex-deputado estadual Ulices Andrade. Ele teria de afastar-se já no início do próximo ano definitivamente do TC, para tornar possível a sua candidatura ao governo, e isso quando tem pela frente mais de dez anos até a aposentadoria compulsória. Ulices desfruta da boa fama de articulador engenhoso, lastreado no crédito amplo que merece a sua palavra.
Restaria, no caso, a adesão imprescindível de Edvaldo, que teria, parodiando o Príncipe Regente Dom Pedro, de propalar em viva e sonora voz: “Como é para o bem do candidato Mitidieri e felicidade geral de todos os meus aliados, que desejo manter para o futuro, digo a Belivaldo que fico na Prefeitura”.
Edvaldo, até em homenagem à nossa história, poderia fazer isso no dia 9 de janeiro de 2022, quando se comemora o bicentenário do dia do FICO.
Com isso, todos os caminhos estariam abertos para Fábio Mitidieri, que começaria a conversar muito em busca de um nome consensual para candidato a vice. No páreo já está em movimento o deputado Luciano Bispo. Talvez seja ele o articulador político com maior dose de proatividade entre todos os poderes, e a ele se deve o soerguimento da imagem institucional do nosso Legislativo. Luciano, na condição de presidente da Assembleia, estabeleceu uma sintonia fina com os grandes temas de interesse público, notadamente, as estratégias para o desenvolvimento de Sergipe.
Estaria agora, crescendo a ideia de abrir vaga para um nome feminino, e isso é uma homenagem, ou melhor, o reconhecimento do papel exercido hoje pelas mulheres em todos os setores da vida pública, iniciado quando João Alves convidou Marília Mandarino, para ser a sua vice; depois, Belivaldo convidou Eliane Aquino, viúva de Marcelo Déda, atual vice governadora de Sergipe.
Muito comentado o nome da deputada estadual e empresária Janier Mota Santos Primo, que soma ao seu nome o prestígio e a visão empreendedora e social da sua irmã Jânia Mota, líder do grupo Natville, que move grande parte da cadeia de produção leiteira em Sergipe.
Mas, enfim, não é sensato avaliar depreciativamente a candidatura do petista Rogério Carvalho, senador que tem usado o seu mandato para ampliar bases politicas, e ocupará o palanque do candidato inegavelmente mais cotado: o velho Lula, tanto de guerra como de paz. E, aliás, existe a sensação de que os possíveis adversários de Rogério gostariam de ocupar o mesmo palanque, ou, torná-lo neutro no que se refere a Sergipe, onde tudo converge a favor do ex-presidente.
Recentemente, Rogério teve uma longa e, ao que dizem seus assessores, muito produtiva conversa. Exatamente com o ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Franscisquinho, cuja prisão parece que o tornou ainda mais forte eleitoralmente. Disse Rogério para acabar de conquista-lo: “Franscisquinho, você sabe que eu sou um trator, quando entro numa campanha passo por cima de tudo (ele não explicitou se passaria a sua máquina “turbinada” também por cima da ética) que estiver na minha frente, e assim ganhei todas as eleições, e sou senador, quando diziam que eu seria o azarão na disputa. Você é outro trator, e demonstra isso todo dia. Se esses “dois tratores” ficarem juntos, nós vamos ter por muito tempo o poder em Sergipe”.
Nas eleições de 1958 e 1962 o candidato a deputado federal Euvaldo Diniz, dizia nos comícios: “Eu sou um trator descendo sem freios a ladeira do Santo Antônio, e para defender o povo, passo por cima de tudo”.
Ganhou nas duas eleições. Naquela época o “trator” ainda não tinha um significado dúbio, e era apenas uma até ingênua figura da retórica populista.
Dizem que Franscisquinho não respondeu a esse convite para “tratorarem Sergipe”, mas, balançou muito a cabeça em sinal de aprovação.
Fez igualzinho ao papagaio mudo.
