COPA AMÉRICA NO BRASIL: Renan Calheiros envia mensagens aos atletas da seleção brasileira com carta em que diz que a Copa América no Brasil é um mal exemplo

Publicada originalmente às 13h 16 do dia 06/06/2021) 

(Brasília-DF, 07/06/2021) O senador Renan Calheiros(MDB-AL) relator da CPI da Pandemia no Senado, envia desde esse sábado5, mensagens aos atletas e comiss!ao técnica da Seleção Brasileira de Futebol com uma carta/artigo em que explica porque a Copa da América no Brasil se tornou um mal exemplo.

“A seleção é motivo de orgulho.Disputar a Copa pode até gerar troféu.Não disputar, em nome de vidas, significará sua maior conquista. Impossibilitado de apelar ao bom senso do presidente da República e da CBF, enviei nota aos atletas e à  Comissão Técnica”, disse no Twitter ainda nesse sábado, 5.

Veja a íntegra do artigo:

Por que a Copa América no Brasil é um mau exemplo

sábado, 5 de junho de 2021

Esta reflexão, sugerida pela equipe técnica da CPI da Covid-19 no Senado Federal é endereçada à Comissão Técnica da Seleção Brasileira e aos nossos craques, ídolos e atletas. Nosso modesto propósito é informar, alicerçados em argumentosestritamente técnicos, sem qualquer viés político. As razões para a realização da Copa América na iminência de uma terceira onda da pandemia no Brasil não corresponde a opção sanitária mais segura para o povo brasileiro.

1) O número de brasileiros vacinados representava,na totalização do dia 04/06/2021, apenas 10,77% do total da população. Isso o coloca o país na posiçãode número 64 no ranking mundial de vacinação adotando-se o critério percentual da população imunizada/100 mil habitantes. O Brasil não oferece segurança sanitária de acordo com dados objetivos para a realização de um torneio internacional dessa magnitude no país. Além de transmitir a falsasensação de segurança e normalidade, oposta à realidade que os brasileiros vivem, teria o efeitoreprovável de estimular aglomerações e transmitirum péssimo exemplo. Pelo atraso da vacinação estamos muito distantes da cobertura vacinal mínima para pensar em retomadas da vida normal;

2) O Brasil, onde pretensamente se realizaria a Copa América, regista hoje a trágica marca de mais de 470 mil mortos pela pandemia. Estamos vivendo um dos momentos mais críticos da doença, sob o risco concreto de uma terceira onda mais severa e, como constatado, com a população ainda não imunizada em percentuais seguros. Morrem em média perto 2 mil brasileiros todos os dias vitimadospela doença e o colapso do atendimento hospitalar se avizinha. Isso significa que a cada partida de futebol da Copa América, de 90 minutos, mais de 120 brasileiros estariam morrendo ao mesmo tempo. Futebol é uma das maiores expressões da alegria.Há alegria em uma situação como essa?

3) Temos ciência da divisão existente no Brasil. Alguns setores tentam forçar a realização da Copa América, ou não, como um ato político. Como se a única neutralidade fosse obedecer sem questionar. Por isso, trazemos a lume esses argumentos nitidamente técnicos. Para muito além da política, há uma discussão entre ciência em oposição aonegacionismo.

4) Pensem na preparação técnica de todos, nos treinamentos, deslocamentos, alojamentos, na meticulosa rotina de exercícios, na equipe de profissionais médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e tantos outros. Pensem nos esquemas táticos, nas técnicas que cada um desenvolve para alcançar o seu auge de desempenho como atleta. Há como negar que todos esses avanços são fundamentais? Essas rotinas e protocolos são “políticos”, as que todos vocês praticam todos os dias para manter a altíssima performance que é exigida de um atleta? Claro que não. Assim como não é político seguir protocolos internacionais num país que enfrenta um grave momento pandemia.

Não somos contra a Copa América no Brasil ou em qualquer outro lugar. Mas acreditamos que o torneio pode esperar até que o país esteja preparado para recebê-lo, assim como já aconteceu pela primeira vez na história com uma competição muito mais importante, as Olimpíadas do Japão.  Não realizar e não participar da Copa América no Brasil não é um ato político, é um gesto de respeito à vida de milhões de famílias enlutadas pela morte e por cicatrizes incuráveis. É adotar a mesma disciplina técnica e científica que todos da Comissão Técnica e todos os Jogadores obedecem, desde sempre, todos os dias.

( da redação com informaçòes de redes sociais. Edição: Genésio Araújo Jr)

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